SPFW – Último dia!

E aí, família?! Mais uma SPFW pra conta! O último dia teve Gloria Coelho, Amapô, Ratier, Ronaldo Fraga, Handred, Juliana Jabour e João Pimenta e, nós, vyamos conferir agora os destaques de cada desfile!

O dia começou com o retorno de Glória Coelho ao line up do SPFW. A estilista fez, desta coleção, uma enciclopédia de sua história, com update certeiro de elementos marcantes de seu estilo – o tecnológico, o utilitário e o festivo – com as clientes que vestem hoje suas roupas em mente. Por isso, os clássicos estão todos lá: os shapes minimalistas com um quê intergaláctico, os vestidos de festa com padronagens de tecido recortado e texturizado a sua maneira. A calça fuseau, hit de histórias passadas, retorna sob casacos utilitários do bloco inicial do desfile, parkas de tecido high tech anticelulite são usadas com saias levíssimas e placas de cetim unidas meticulosamente decoram as entradas noturnas como alternativa inteligente ao decorativismo tradicional. Na passarela, um casting masculino riscou a apresentação pela primeira vez na grife. Um momento que mostra que a designer está atenta às movimentações do mundo. Gloria não está com planos para etiqueta masculina; eles vestiram, tal qual seus clientes homens o fazem nas lojas, itens saídos da própria coleção feminina. “Os meninos querem a roupa da minha menina”, disse. Desejo realizado!

Amapô, de volta também ao line up da SPFW, emocionou o público com a presentação mais alto-astral do dia. A marca armou um verdadeira festa, mostrando com seu desfile que é possível se divertir na moda. Carô Gold e Pitty Taliani estavam há um ano trabalhando nesta coleção, pensando em cada look de acordo com o estilo e personalidade de quem o desfilou. O casting era composto por alguns amigos e pessoas que as estilistas encontraram via Instagram. O resultado são peças cheias de identidade, que combinam passado, presente, futuro mais um monte de referências e estampas. A estampa de aerógrafo vem da adolescência de Pitty. As meninas acharam um especialista na técnica e deram o direcionamento. Boa parte das roupas foram criadas a partir de peças de brechó reconstruídas para contar novas histórias, além daquelas já vividas em outras épocas e por outras pessoas.

A coleção de Ratier veio inspirada na cena “electro” dos anos 2000, repaginando a cultura que fez história em suas pistas de dança. O primeiro look já dava o tom da apresentação: ao som da música eletrônica, o dançarino, performer e modelo Loïc Koutana – figura carimbada da noite – entrou na passarela com um look mezzo utilitário, mezzo esportivo feito de um tecido que reproduz a textura de papel amassado. Apesar de ter um DNA preto e branco, acendeu suas criações com tonalidades luminosas de néon. No entanto, eles aparecem aqui afastados de sua veia 80’s. Tudo é 2000, tudo é millennial. Entre as propostas da porção feminina do desfile, vale combinar o vestido-smoking com cuissardes amarelas, resgatar a jaqueta de papel amassado ou apostar na perfecto curtinha. Tendência deste inverno, a bota cowboy também ganha toque luminoso.

O desastre de Mariana foi a inspiração para Ronaldo Fraga falar de memória e reconstrução. Mas também para falar de aniquilação, de esquecimento. Uma das maiores tragédias dos últimos tempos, que segue sem responsáveis e não esclarecida, estranhamente deixou poucas imagens humanas no imaginário midiático. As imagens em geral feitas de cima mostravam apenas barro. Ronaldo encontrou mulheres, artesãs da região, que viram as vidas transformadas pelos desastre, e buscam nos bordados, trazidos à região no século XVIII por portugueses, uma oportunidade para levantar o que sobrou da vida por lá. Elas contaram pra ele sobre as plantas que existiam ali nos jardins, um símbolo de fertilidade e de presença humana. s álbuns de recordações foram tragados pela água e pela terra, assim como muitas das pessoas que neles estavam registradas em seus momentos felizes. Já o estilista em sua maestria criativa detalhou esse momento na coleção em linho que cruza folhagens tocadas por tons terrosos, bordados e registros fotográficos — resgatados nas poucas fotos de família que elas conseguiram salvar e as misturou com as de sua família. Os álbuns de recordações foram tragados pela água e pela terra, assim como muitas das pessoas que neles estavam registradas em seus momentos felizes. A coleção se chama mudas. Talvez porque exista de fato um grande silêncio sobre as dores do mundo, do Brasil, das pessoas. Mudas porque também há sementes. Essas roupas são imagens de sementes. Que importante, especialmente nesse momento da moda brasileira e do mundo, que Ronaldo e suas parceiras tenham decidido plantá-las.

A carioca Handred fez sua estreia na SPFW injetando uma pitada do Marrocos à sua elegância genderless e tropical. A coleção foi inspirada por uma viagem que André fez ao Marrocos em janeiro, sem perder a bossa do Rio, com leveza e materiais nobres 100% naturais como a seda e o linho que renderam os melhores momentos da passarela. André Namitala misturou os ótimos pijamas de linho ou seda na qual a marca é craque com cores queimadas e peças de veludo (que, vestida por eles, são desejo também para elas). As túnicas e batas reconstruídas, por exemplo, chamam atenção. André trouxe para São Paulo a sua turma: José Camarano e Felipe Veloso dividem o styling, Carla Biriba assina e beleza e Xande é responsável pelo som. A novidade da marca para a estação é a entrada de beachwear, que completa o mix da Handred e faz dela ainda mais carioca.

No último dia, a gente ainda conferiu o desfile da Ju Jabour, uma estilista que eu amo! Misturando street e esporte com luxo e uma pitada de romantismo com aquele ar vitoriano, ela olhou nesta temporada para os esportes de inverno. O ponto de partida para essa coleção foi a cartela de cores, com um inverno predominantemente claro. Partindo do branco e do off white, em contraste com tons leves e vibrantes, como papaya, laranja fluor, verde esmeralda, amarelo e lilás. Para contrapor com o esportivo, rendas e babados românticos fizeram o jogo de styling e composição das peças. O uso de tecidos esportivos, como o nylon e tactel, foram misturados com renda em vestidos com mangas ‘bufantes’. Um dos sapatos do desfile é uma mistura de bota de alpinismo e salto com pegada clubber: “Não tem como falar de montanha, ski e esportes radicais de inverno sem falar das botas” brinca Juliana.

João Pimenta encerrou o SPFW n45 com sucesso na estreia no estilo feminino. O designer apostou no bucólico e tomou a indumentária rural como ponto de partida, tema que, de maneira ou outra, impulsionou também os desfiles da Cotton Project e Fernanda Yamamoto nesta temporada. Por isso, peças como aventais, tecidos como a chita e padronagens como o xadrez pipocam na coleção, mas de maneira inteligente, bem longe do caricato. Os casacos recortados como num patchwork geométrico impressionam ainda mais quando combinados aos vestidos que, mesmo sendo de silhueta seca, tinham camadas e camadas de tecido que geravam uma superfície final totalmente fora do óbvio. Logo nos primeiros looks surgiu uma alfaiataria com shape tubular, com casacos de dupla modelagem, amarrados na cintura por um lado só: ao olharmos a peça de costas ela é ao mesmo tempo acinturada e solta no corpo. Florzinhas estampam peças sóbrias (e o forro de quase todos os casacos). A coleção é toda em lã fria, lã, seda e tactel, trabalhada em tons de cinza, azul marinho, verde, rosé e mostarda.

Pra fechar a semana, escolhi um look total pensado ou feito por mulheres goianas. A blusa, que na verdade é um vestido, foi idealizado pelo Lucas Ruiz e Bastos , mas inteiro feito de crochê pela mãe do Lucas, sem costura e sem emendas.

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A calça é do guarda-roupa coletivo Lucid Bag , um projeto incrível que já contei sobre em um post anterior e é comandado por uma mulher mais que power! E a bolsa mais uma vez é da Wish Me Luck , outra mente criativa feminina que nos representa em todos os seus produtos com muito conceito e amor pelo que faz!

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O brinco é da designer de joias Amanda Daher  para Anunciação que tem um talento tão grande que é difícil descrever.

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E tem street style do último dia, sim!

Valeu pela companhia, família! Que venha a próxima temporada!

Beijos

Awa Guimarães

fimdepost

 

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