Picasso + Marie-Thérèse Walter: O artista em toda a sua complexidade e riqueza!

E aí, família?! Pela primeira vez o artista mais influente do século XX, Pablo Picasso, vai ganhar uma exposição solo na Tate Modern, em Londres. As novidades não param por aí, os mitos em torno de Picasso e a relação do pintor com sua amante Marie-Thérèse Walter serão relembrados para revelar o homem e o artista em toda a sua complexidade e riqueza, como nunca antes foi visto. Vem comigo conhecer essa história!

A exposição histórica na Tate Modern, Picasso 1932: Love, Fame and Tragedy, celebrou os 365 dias em que ele pintou algumas de suas mais importantes obras, a maioria delas inspirada em sua amante. Não há dúvidas, 1932 foi um período intensamente criativo na vida do artista. Picasso acreditava que a pintura era sua maneira de criar um diário – e, para aqueles que conseguem fazer essa leitura, as telas desse período contam uma grande história de amor. Agora, mais de 80 anos depois, a mostra volta a ser exibida na Tate Modern, sob a pesquisa atenta da historiadora e curadora Diana Widmaier-Picasso, que relembra a relação do pintor com sua avó, Marie-Thérèse Walter.

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Femme nue, fueilles no Buste – Pablo Picasso, 1932  (Foto: © Succession Picasso/Dacs London, 2018, © The Cecil Beaton Studio Archive At Sotheby’s e © Archives Maya Widmaier-Ruiz-Picasso)

Nela serão apresentadas pela primeira vez — desde que foram criadas em um período de apenas cinco dias, em março de 1932 — as três de suas pinturas mais extraordinárias com sua amante Marie-Thérèse Walter. No total serão 100 pinturas, esculturas e desenhos, misturados com fotografias de família e raros vislumbres de sua vida pessoal.

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A obra O Sonho (1932), um retrato da amante (Foto: © Succession Picasso/Dacs London, 2018, © The Cecil Beaton Studio Archive At Sotheby’s e © Archives Maya Widmaier-Ruiz-Picasso)

Diana Widmaier-Picasso, neta do pintor, só teve dimensão da genialidade de seu avô quando entrou na escola e começou a ouvir comentários sobre ele. Ela entendeu que ele tinha sido muito mais que um pintor: era uma figura definitiva da arte do século 20. Essa revelação moldou o curso de sua vida.

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Femme nue dans un fauteuil rouge – Picasso, 1932 (Foto: © Succession Picasso/Dacs London, 2018, © The Cecil Beaton Studio Archive At Sotheby’s e © Archives Maya Widmaier-Ruiz-Picasso)

Na tentativa de aprender um pouco mais sobre ele, Diana há uma década decidiu revisitar as 45 mil obras, sem contar os objetos pessoais e as correspondências, que Picasso deixou para sua mãe,  María de la Concepción – Maya em sua abreviação, quando morreu em 1973 – um ano antes do seu nascimento. Ela começou a visitar museus pelo mundo; mas os maiores tesouros que descobriu pertenciam à sua própria família: das cartas apaixonadas dele para a falecida avó, Marie-Thérèse Walter (1909-1977), às fotografias tiradas durante as férias na Riviera.

Marie-Thérèse conheceu Picasso quando tinha apenas 17 anos. Ela era uma garota burguesa que morava com a família em Maisons-Alfort, no sudeste de Paris que tinha ido à capital francesa para comprar uma estola de pele. Picasso, então com 45 anos, caminhou em sua direção, disse seu nome e pediu para fazer um retrato dela. A jovem não tinha ideia de quem era ele, apenas ficou lisonjeada com um artista chamando-a de linda. Foi somente depois de ver em uma livraria reproduções do trabalho dele que ela concordou em visitar seu estúdio, na Rue la Boétie, alguns dias depois. Em duas semanas, começou o affair.

À medida em que a pesquisa de Diana progredia, ficava claro que todos os anos da vida dele foram incríveis – mas conforme o romance com sua avó progredia, Picasso se destacava em termos de criatividade. As formas geométricas desapareciam, em seu lugar, entraram curvas sensuais, envoltas em violeta, amarelo e escarlate. Para ele, a amante tornou-se um símbolo de renascimento e fecundidade. Os tons não poderiam ser mais diferentes que os das sóbrias pinturas de sua mulher.

 

 

 

 

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O espelho (Le Mirroir) – Picasso, 1932  (Foto: © Succession Picasso/Dacs London, 2018, © The Cecil Beaton Studio Archive At Sotheby’s e © Archives Maya Widmaier-Ruiz-Picasso)

 

 

Em 1932, cinco anos deles se conhecerem, Picasso ganhou sua primeira retrospectiva na Galeria Georges Petit, em Paris, consolidando sua posição como o maior artista vivo do mundo. No coração da mostra havia uma série de retratos nus de Marie-Thérèse. A amante de Picasso, que assombrava o casamento dele com Olga fazia anos, finalmente tinha uma forma física que todos podiam ver. Foi a gota d’água. Olga deixou o apartamento na Rue la Boétie para sempre, em 1934.

Na véspera de Natal daquele mesmo ano, Marie-Thérès disse a Picasso que estava grávida. O nascimento da criança e o divórcio traumático provocaram tamanha mudança na vida do artista, que abandonou a pintura por um ano, passando a escrever poesia em meio aos deveres paternos. As únicas obras que fez nesse ano foram retratos da família: fotos artisticamente compostas de Marie-Thérèse após o nascimento de Maya; aquarelas da criança adormecida no berço; esboços da mãe amamentando de robe e chinelos. As cenas são sempre domésticas e comuns, mas é possível sentir a intensa admiração de Picasso pelas duas.

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Marie-Thérèse com a filha Maya, em 1941 (Foto: © Succession Picasso/Dacs London, 2018, © The Cecil Beaton Studio Archive At Sotheby’s e © Archives Maya Widmaier-Ruiz-Picasso)

No outono de 1937, ele se mudou com a família para Le Tremblay-sur-Mauldre. Uma década depois do primeiro encontro, Marie-Thérèse finalmente compartilhava uma casa com Picasso – mas ele já havia conhecido sua próxima amante e musa, a fotógrafa surrealista Dora Maar. Após a explosão da Guerra Civil da Espanha, que o motivou a retomar a pintura, foi novamente a Marie-Thérèse que se voltou em busca de inspiração. Em sua obra-prima Guernica, ela – sempre um símbolo de esperança e paz para Picasso – é a modelo para, pelo menos, três personagens.

Hoje, mais de 40 anos após sua morte, a exposição nos guia através do “ano das maravilhas” de Picasso. O que a princípio era um affair, foi definitivo, tanto para a obra do espanhol quanto para sua vida amorosa. Seu legado ficará exposto até 9 de setembro!

 

Beijos

Awa Guimarães

fimdepost

 

 

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