Penúltimo dia de SPFWn44

Hey, folks! O dia ontem foi mara! Logo cedo já pude conferir bem de pertinho a coleção Verão 18 da Animale, na loja da marca, na Rua Oscar Freire. Após uma viagem de 20 dias ao Vietnã, Vitorino Campos voltou com a ideia da coleção na cabeça. Muito além de trabalhar em cima de um tema, o estilista optou por contar uma história. Uma instalação, desenvolvida em parceria com Hussein Jarouche, apresentou a coleção lado a lado com suas inspirações: peças vintage garimpadas na viagem. Enquanto Vitorino Campos explicava pessoalmente a coleção. Sem nunca perder de vista o DNA sexy e feminino da cliente da Animale, a coleção traz muita camisaria, alfaiataria desconstruída e denim com cintos transpassados e nós que lembram trajes dos monges e quimonos em jacquard, lurex e lamê. Vestidos com aplicações de mini-flores por toda a superfície simulam jardins. Estampas que mesclam o desenho de cerâmica com o traço da tatuagem típicas do Vietnam. Botas de couro com saltos de madeira e bolsas com alças de cordas. Pesponto em cima da sarja. Cetim plissado que parece bordado. Tudo muito lindo!

A coleção, com o tema The Crown, da estilista Glória Coelho, brincou com a monarquia inglesa e também com a cultura do Reino Unido, fazendo alusões às várias fases da vida da jovem rainha Elisabeth retratada pela Netflix: a África, as festas, a igreja, a coroa e muito mais. Ela levou sua corte repleta de amigas e modelos para a passarela com direito a princesinhas blogueiras, a rainha pop rocker Marina Lima, mulheres de diferente shapes, alturas e idades. A roupa de Gloria fica bem em todas. O desfile começou com peças estruturadas em cores escuras, como preto e navy. Casacos com capuz, saia assimétrica com detalhe em plástico transparente e tops com shape quadrado abriram caminho para peças mais fluídas, como um delicioso pijama oversizede um bodysuit solto no corpo. Em um segundo momento, uma suavidade, em tons como rosa psicodélico e amarelo limão, apresentaram uma moda festa mais leve em crepe e organza. As modelos vieram com coroas geométricas em tons chapados. Uma celebração à beleza feminina em todas as suas idades. Dos movimentos de street style à equitação e florais Liberty, os elementos britânicos foram vestidos com a estética dark-paulista de Gloria.

Ronaldo Fraga mostrou sua coleção ao ar livre. Seu desfile foi ali entre MAM e OCA, onde os convidados se sentaram em cadeiras de praia com tecido ilustrado por croquis desenhados por ele. E todos que estivessem passando por ali, também tinham acesso à apresentação. Após uma temporada longe do SPFW, na contramão do beachwear brasileiro, o estilista se aventurou pela primeira vez para criar uma coleção de moda praia. Maiôs e biquínis inspirados nos anos 20 (década em que a elite brasileira – sonhando em ser europeia – descobriu a praia como lazer e ia para as areias cobertas pela indumentária pesada da época) encontram a tecnologia da costura supersônica onde o corte, estampas e bordados são feitos através da temperatura (adeus agulhas e linhas). O antigo encontra o moderno? Sim, e no casting também! Entre os modelos jovens, desfilaram pessoas de mais idade, senhores e senhoras cheios de personalidade e vitalidade afinal, a idade está na cabeça não é mesmo? Ponto para os detalhes lindos de alças cruzadas na frente e nas costas, decotes e recortes bem bonitos. Tons de preto, nude e rosa açucarado pautaram a temporada do estilista.

A Sissa é mais uma das marcas do SPFW que decidiram não fazer desfile. A estilista Alessandra Affonso Ferreira trocou a passarela por caixotes de madeira sobre os quais as modelos ficavam paradas vestindo as peças da grife ao som de um grupo de percussão. Tramas, estampas, bordados e processos artesanais marcam a coleção. Os shapes são amplos e descomplicados. Mais uma vez, ela deixa as aquarelas em segundo plano e se concentra em texturas naturais tingidas de tons da terra como tijolo, ocre e areia, dando vida a variações lisas de vestidos, macacões ou combinações de blusa e calça que se mostram democráticos e de elegância totalmente pé no chão, feitos sob medidas para sua clientela de mulheres que já abandonaram excessos e saltos stiletto há tempos. Destaque para a reutilização das sobras de tecidos em saias e conjuntinhos feitos à mão.

O diretor criativo Rafael Varandas olhou para os senhores de idade que caminhavam pelo bairro de Higienópolis para se inspirar em sua mais nova coleção de verão da marca Cotton Project. Para os “novos velhinhos” da era tecnológica, surgiram na passarela peças descontraídas e super relax em tecidos como moletom, sarja e veludo cotelê em calças, camisas e lindos tricôs de jacquard. Bombers com frases engraçadinhas – uma delas diz para culparmos mesmo a posição da lua, fazendo alusão a nossa incessante explicação para tudo a partir da astrologia. Além de looks pijama e uma alfaiataria colorida e alegre, esta aliás perfeita para encarar bem vestida o próximo verão! A novidade fica por conta da explosão de cores. A grife de surf e streetwear aumentou a saturação de sua cartela de cores e se jogou em cores bold como verde água, lilás e coral. Intervenções de spray nas roupas e careca multicoloriada na beleza. Nos pés, a parceria continua com a Puma ora com tênis, ora com chinelos. Óculos, em parceria com a LIVO eyewear. Bolsas pequenas em tecidos sustentáveis Rhodia, chapéu tipo pescador completam de maneira cool a nova temporada.

Que tal uma praia boudoir? A década de 1950 foi o ponto partida para o verão 2018 de Amir Slama. Inspirado nos anos 50, nas vedetes do Brasil e com influências de pin ups, Marilyn Monroe e Carmen Miranda, levou à passarela um beachwear pra lá de chique com muito cetim, robes esvoaçantes e drapeados – tudo ao som de Frank Sinatra! O designer apresentou uma interessante lycra matelassada, que estará presente também em sua coleção comercial, e desenvolveu uma espécie de cetim (que pode mergulhar sem problemas) que contribuiu para a atmosfera de glamour-old-school proposta por Slama. Aliás, aplicações de joalheria pontuam algumas das peças: puro ouro! Eles aparecem para recuperar o glamour da década de 1950. Não à toa, até lencinhos são usados sobre a cabeça. A coleção foi uma provocação entre lingerie e moda praia. A sensualidade feroz da temporada passada cedeu espaço a um mood quase inocente para os dias de hoje. Na cartela de cores, vermelho, roxo e perolados dão charme vintage à coleção.

Lino Villaventura apresentou sua nova coleção nesta quarta-feira em um desfile que dá mais uma amostra de sua paixão pela moda. O estilista não trabalha com temas. No entanto, sua coleção fala, sim, de Ásia. Segundo ele, falar de países como esses é pensar em uma maneira diferente de construir uma peça. Por isso, pedaços de tecidos compõe volumes orgânicos que, em geral, foram texturizados com a técnica de nervuras que fez a fama de seu trabalho. O desfile teve momentos de mais impacto, com os looks escuros, e de leveza, com os claros. No meio do caminho, uma atmosfera mais romântica e fluída com o vestido azul com bordados e o momento dos tons quentes. E encerra com os longos vestidos com patchwork que já são inconfundíveis em sua marca. Cortes a laser, bordados richelieu, devore e materiais translúcidos estão entre as técnicas e elementos que enriquecem seus vestidos. Transformar tecidos, tinturar, criar texturas e nervuras é o seu melhor trunfo.

A Tig encerrou o penúltimo dia de desfiles da SPFWn44 homenageando o Rio de Janeiro sem cair em obviedades. Olhou para a princesa Leopoldina – “uma mulher muito mais forte do que é ensinado na escola” – e sua paixão pelo Rio de Janeiro, e deu forma a coleção intitulada como “Ela é Carioca”. Para criar para uma mulher livre, que não busca feminilidade em elementos óbvios e mistura sem medo, apostou em peças fluidas e esvoaçantes, inserindo elementos pontuais de tendências globais ao DNA da marca. O desfile teve início com uma série de peças em estampas P&B, com imagens da Cidade Maravilhosa, misturando moda festa com elementos do boxe, como o elástico na cintura. Tiras de nylon coloridas davam acabamento esportivo aos vestidos de tule, ideais para irem a festas sem cair na mesmice. Na evolução, as estampas – que consagraram a marca – ganharam cores tropicais, como azul meia-noite, lilás e verde bandeira – referências da diversidade da nossa rica fauna e flora que misturavam-se às barrocas e também modernistas.

É isso aí, morees! Referências à países como Vietnã, Inglaterra e cidades como o Rio de Janeiro fizeram da globalização o ponto alto desse quarto dia de SPFW, neah?

Fiquem agora com o lookzera de ontem em vários cloooses porque ele merece!

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Beijos

Awa Guimarães

fimdepost

 

 

 

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