SPFWn44 – #day2

Hey, folks! Agora sim podemos dizer que foi dada a largada! Meu primeiro dia de SPFW foi simplesmente mara! Venha comigo conferir o melhor do dia e prepare-se para muitos looks monocromáticos, mescla de tecidos e temas super nacionais!  Venha venha venha

A UMA abriu a segunda-feira de SPFW, trazendo sua moda urbana, sem gênero e desabada, tendo como cenário a Japan House. Raquel Davidowicz buscou inspiração na obra do artista plástico americano Cy Twombly para criar a sua coleção nesta temporada. Na passarela, o famoso beachwear que funciona bem fora da praia, em looks do dia a dia, e a silhueta leve e fluida contrastando com volumes esportivos. A estilista, apostou em uma cartela com branco, off-white, preto e damasco. Galhos de cerejeira presos nos cabelos entrelaçados acrescentaram drama à beleza minimal e elegante do desfile. No caso dos acessórios, não foi diferente: saltos confortáveis, sliders de couro e bolsas que funcionam como mochilas. Entre as investidas da designer tem truques de styling para aderir já: meia-calça usada com sandália aberta e robe longo vestido por cima do look de alfaiataria.

Ainda na manhã de segunda, Paula Raia vestiu todos seus convidados com robes de linho cor de rosa – o tom que pauta toda a coleção – para apresentar seu riquíssimo patchwork de matérias-primas, em vestidos que são desejo-absoluto e uma verdadeira couture brasileira. Incenso no ar, sal do Himalaia, névoa, cristais no décor, referências ao trabalho da artista Agnes Martin, com sua pintura abstrata e universo místico. A estilista trouxe não só uma coleção, mas uma atmosfera, que envolve os presentes na suavidade, delicadeza e fluidez que, segundo Paula, estão em baixa. Peças em tons rosados, tecidos naturais como linho, algodões “gradeados”(como a renda e o richelieu), organza texturizada e o látex laminado criaram variados efeitos translúcidos ao lado de objetos de vidro, enquanto as modelos transitavam entre cristais. Alexandre Birman criou com exclusividade para a estilista todos os sapatos que cruzaram a passarela. O mix de coturninho e tênis, um dos modelos da label Fiever e o oxford outro par que promete fazer sucesso.

Inspirado na artista Tarsila do Amaral que deu o que falar no movimento modernista, Oskar Metsavaht construiu a coleção verão 2018 da Osklen. Com o acervo de Tarsila em mãos, Oskar dividiu o desfile em quatro momentos para que além das estampas com as obras ele pudesse também representar o processo: do canvas à tela final. As entradas iniciais de linho, com ótimas calças, faziam referência às telas. As estampas de obras clássicas, como o Abaporu, apareciam primeiro como esboços – em tons de crus, brancos e off-white – e depois em todas as suas cores vivas. Para usar as obras inteiras, Oskar faz uma opção esperta, quase de suvenir, ou booklet de museu, em vestidos e alças-lenço, com a descontração de um pareô ou de uma canga chic. Depois monta simpáticos conjuntos, com as imagens recortadas e desconstruídas, engatando uma bonita série vermelha, uma das cores que Tarsila mais gostava de vestir e que usou no autorretrato que foi referência dessa seção do desfile. Arrematando tudo, acessórios bacanas, com destaque para os  tênis feitos de corda de algodão e flats que fazem referência às telas em branco da pintora, além de clutches de madeira de reflorestamento com alça removível composta pelos lenços de seda estampados com quadros icônicos de Tarsila – como Abaporu (1928), Antropofagia (1929) e Palmeiras (1925). Tudo aprovado pessoalmente pela sobrinha-neta de Tarsila, que tem o mesmo nome da artista e deu o aval para o projeto.

A Vix, comandada por Paula Hermanny, trouxe uma moda praia de Resort inspirada nos Trópicos. Com peças feitas à mão, a designer investe numa moda praia de luxo que procura a justa medida entre o sexy e as modelagens mais comportadas. O uso de tecidos naturais guiou toda a coleção, priorizando a seda e o algodão como materiais para alcançar leveza. O shape das saídas de praia são amplos com transparências e os maiôs bem cavados. A estilista também chama a atenção para as torções, elemento que está presente na maioria das peças e,  investe nas camisas maxi como as saídas de praia mais quentes da vez, assim como a combinação body e pantalona. Destaque para o melancia, o açafrão e o verde. O azul marinho aparece como contraponto. Os maxi chapéus já se mostram tendência para este verão.

Agora é a vez de falar do desfile mara da Fabiana Milazzo que eu tive a oportunidade de assistir. Sonhos, delicadeza e fantasia fizeram parte dessa segunda coleção desfilada pela mineira no SPFW. A estilista quis trazer leveza para as peças e para tanto se valeu de uma série de recursos de styling, além dos bordados que lhe renderam fama. O principal deles foi a sobreposição de vestidos amplos e longos sobre peças de lingerie ou conjuntinhos românticos. O universo boudoir, aliás, permeia toda a coleção – de vestidos-camisola às rendas do underwear de antigamente -, dando ar levemente mais ousado para a moda festa da label. Menos presentes do que em estações passadas, os bordados de agora também têm tom onírico, em versões mais suaves e diurnas, feitas com contorno de linhas e paetês que mais parecem de papel, em tecidos leves como tule, organza e chiffon de seda.  São um mix surrealista e lúdico de estrelas, luas, animais e rostos femininos. As flats e os saltos mais grossos também são destaque, já que a estilista quis explorar o conforto no universo das roupas de festa. Para completar, uma cartela de cores que pontua clássicos festivos como nude e preto com amarelo e azul céu.

Ao som de Rock’n’Roll, João Pimenta apresentou uma coleção com inspiração em rituais religiosos e símbolos do céu e do inferno – cheia de amarras, correntes e sobreposições: tanto simbólicas quanto de peças. A jornada começa com um paraíso branco mas nada angelical, em uma série de transparências e elementos vazados que deixaram a alfaiataria mais ousada. O purgatório tem fundo branco e estampas de chamas negras, e o inferno é vermelho, cinza e preto, em chamas ou sob a sombra de cruzes invertidas. As fivelas metálicas e as correntes e colares acrílicos assinados por Wallace Barros dão a dica de que, seja entre anjos ou demônios, o espaço da liberdade é difícil de conquistar. Para os meros humanos, ótimos tricôs, peças mais largas e bastante retalhos, bordados e alfaiataria para garotos que sabem questionar as fronteiras entre mocinhos e bandidos. Destaque para as túnicas e as saias masculinas, que sempre estão presentes nas suas coleções.

A coleção da Lilly Sarti é, como a própria estilista define, urbana com aroma de pele bronzeada. Tendo o monocromático como ponto de partida – e uma cartela que vai de tons de especiarias como vermelho e laranja queimado ao verde argila, passando por um tom lavado de azul. Lilly oferece uma diversidade de peças que refletem as novidades da moda e seus principais desejo. Através de tecidos nobres como couro de cabra, jacquard, crepe e seda, a marca contrastou a fluidez das saias e vestido esvoaçantes com calças e tops mais rígidos. Tudo bem acinturado para compensar o caimento soltinho das peças, fórmula certeira em tempos de busca pela sensualidade velada no vestir. Destaque especial para os brincos de esferas criados em parceria com Flavia Madeira, bolsinhas de metal a tiracolo que cabem somente o necessário, cintos de pedras e as mules, pra lá de confortáveis e charmosas, que há algumas estações vêm ganhando cada vez mais espaço. Ponto para o método de produção da marca, que usa mão de obra local e matéria prima nacional.

A badalada marca de beachwear Triya fechou o segundo dia de desfiles na SPFW n44. A partir do poema “Erro de Português”,  de Oswald de Andrade, a designer Isabela Frugiuele pensou: e se os índios tivessem despido os portugueses, e não o contrário? Assim, entrou em cena um coleção intitulada “Gaya”, com as tramas elaboradas características da grife em versões selváticas, tropicais e coloridas. Estampas com desenhos feitos pela observação dos portugueses que desembarcavam por aqui desde os tempos mais primórdios, representando um Brasil alegre, colorido e cheio de belezas tropicais. Peças da vestimenta íntima usada na Europa, como corselet e espartilho, reconstruídos com armações e lycra. Construções artesanais como trecê, tramas de palha e macrame para construir as novas silhuetas da marca, que incluem biquinis com estrutura de ‘fraldas’ típicas de Portugal de 1500, com elementos da nudez total encontrada aqui. No quesito parcerias, os sapatos são uma collab com a Schutz e os biquinis em jeans reciclado com a Damn Project. No geral, a construção da coleção é atual e reflete o momento da moda. Parte de uma inspiração mas também incorpora os desejos dos consumidores com pluralidade. Não há apenas uma cartela de cores ou um trabalho único de tecidos. Entram estilos contemporâneos, como um maiô de rede em tons de nude e detalhes em neon, um biquini metalizado e até uma camiseta com estampa de fontes góticas.

Agora cata o clooosse do lookzera que eu escolhi para esse meu primeiro dia de SPFW:

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Gostou?

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Beijos

Awa Guimarães

fimdepost

 

 

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