Destaques da 41ª edição da Casa de Criadores!

Hey, folks! Semana passada aconteceu a 41ª edição da Casa de Criadores. O evento responsável por revelar novos talentos da moda, como Marcelo Sommer, Juliana Jabour, Ronaldo Fraga e tantos outros.

O primeiro dia de desfiles ficou marcado por coleções de moda consciente, além de manifestos políticos e pela igualdade de gênero.

A Brechó Replay, de Eduardo Costa, foi a responsável por abrir o evento em parceria com o estilista Diego Gama. Desfilaram suas peças vintages revitalizadas, com uma cartela de cores reduzida, pautada por branco e preto, e uma infinita variedade de materiais e modelagens. Por meio da narrativa de um negro que pisa na lua, eles mostraram que agora chegou a hora de ocuparem novos espaços, em um manifesto político impactante.

Conhecido por seu talento com a lycra, Fernando Cozendey apostou em uma  parceria com a Vicunha e trouxe para o seu desfile o jeans com bastante elastano, mantendo seu DNA poderoso e exuberante, é claro. A coleção batizada de ar foi inspirada nos quatro elementos da natureza. As silhuetas clássicas surgiram pontuadas por fortes referências dos anos 90, com foco nas pochetes.

Em seguida, foi a vez de Rober Dognani, um dos nomes mais tradicionais da Casa de Criadores. Na passarela vimos uma coleção total black, com peças que podem ser usadas de diferentes maneiras, contrapondo transparências leves com a estrutura do couro. Silhuetas com modelagens ajustadas e fendas profundas criaram um visual feminino sem deixar de lado a veia dramática e conceitual do designer.

Filipe Freire, especialista em acessórios, trouxe sua coleção “Liberdade”, tendo como inspiração uma mulher livre, tanto em alma como na forma de vestir. O designer trabalhou com argolas de metais em variados tamanhos com banhos prateados para criar vestidos sensuais e ousados, que valorizam o corpo feminino, em um mix de gladiadora com a gótica sexy.

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A noite terminou com a apresentação da Cemfreio, que contou com a participação da drag queen Pabllo Vittar. A coleção “Fogo na Babilônia” veio com roupas cheias de recortes inusitados, mesclando o visual streetwear da marca com cores e signos da cultura do reggae. As peças-desejo da vez são as jaquetas e moletons feitos em parceria com Fábio Kawallys. Tachas, franjas de couro e estampas compunham alguns dos itens nada discretos.

Na noite de terça-feira, segundo dia de desfiles, mais uma vez as performances nas passarelas tiveram destaque entre as cinco grifes desfiladas. As propostas fashion apostam na tendência em alta do momento nas passarelas mundo afora: modelagem amplas e sem gênero.

A Ocksa trouxe um visual confortável e casual na coleção chamada “Inominada”. Peças  amplas e desconstruídas, transparentes, com tiras penduradas e sobreposições, valorizando tons de branco, preto e cinza. Tecido empapelado, calçados tipo slider e pochetes transpassadas para homens e mulheres.

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Já Felipe Fanaia fez uma releitura de jaquetas, parcas e vestidos em vários tecidos dos anos 90, com direito a xadrez e sobreposições. A leveza e transparência dos tules finos dividiram espaço com materiais pesados e estruturados. As silhuetas amplas e desconstruídas continuaram em evidência, ora com amarrações, ora toda solta. Na passarela, figuras conhecidas da moda como o maquiador Max Weber, cachorro com roupa e saia de tule e beijo despretensioso.

O estilista Tarcísio Brandão trouxe uma coleção com a missão de repensar a relação da moda com o tempo. Para isso, ele apostou no trabalho manual e em acessórios feitos com capim dourado, como pochetes e mochilas achatadas e redondas. Modelos masculinos e femininos vinham com o corpo com purpurina dourada, decotes para ambos e seios de fora. Em sua cartela de cores tons de bege, marrom, verde musgo e preto.

Para desenvolver a coleção, Weider Silveiro buscou inspiração na Espanha, com um pé nos anos 90, atualizada para nossos dias. A coleção foi desenvolvida majoritariamente a partir de peças em jeans vintage, utilizando da a técnica de upcycling. Também trouxe novas formas para a camisaria, que surge na temporada com um visual feminino e sensual. Os espartilhos e meias rendadas são outro destaque.

O Projeto Lab, iniciativa criada para trazer novos nomes da moda para a passarela da Casa de Criadores, e que se caracteriza por coleções mais breves e conceituais, foi o encarregado de abrir o terceiro dia de desfiles do evento. Ao todo seis jovens marcas, escolhidas através de um processo seletivo, tiveram a oportunidade de apresentar suas criações.

A Neriage by Rafaella Caniello abriu os trabalhos com uma coleção que foi além de meros produtos. A reciclagem de tecidos como as lonas de caminhão transformadas em jaquetas e peças de lã trabalhadas com seda foram destaque na passarela.

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A coleção da ACRVO surgiu a partir de uma parceria com a produção do filme “Como Se Tornar O Pior Aluno Da Escola”. O tema college foi trabalhado ao longo do desfile. Assim, foram exploradas estampas que remetem à anotações em caneta e um tom de rebeldia, com expressões que pregam por empoderamento e inconformidade.

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Com a marca Rocio Canvas, o designer Diego Malicheski fez sua estreia. Coleção neutra e minimalista que mescla silhuetas estruturadas e outras leves, feitas com camadas de seda. A cartela de cores é suave e, o resultado, bem feminino.

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A Senplo também apostou no minimalismo, com uma cartela reduzida a branco e preto. As silhuetas surgem levemente soltas, porém, marcando regiões pontuais como a cintura. O destaque fica por conta das peças de alfaiataria.

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Inspirada em um baile de máscaras emocional, Carol Funke apresentou uma coleção surrealista e extravagante. Em evidência surgiu o contraste entre tons neutros e cores fortes, como vermelho, assim como a aplicação de babados e franzidos e o uso da desconstrução da alfaiataria, transformando o visual de camisas e coletes.

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Fechando o projeto Lab, temos a coleção She Feels de Renata Buzzo. Na passarela, os nós físicos e emocionais femininos foram retratados através de um trabalho artesanal que leva de 7 a 12 dias para ser finalizado. Como resultado, peças amplas e volumosas ganharam movimento e textura em suas superfícies.

Além das marcas selecionadas pela iniciativa, outras três também apresentaram suas coleções de verão 2017/18 na última quarta-feira.

Em sua coleção batizada de S.O.S, Diego Fávaro fala sobre sua batalha com a depressão. Looks de mood urbano e toques college com alusões ao esporte e à época de escola, onde sofria bullying. Palavras como “mayday”, “help” e “don’t touch”, foram estampadas em peças confeccionadas em materiais aconchegantes, com cores vivas e silhuetas amplas.

Diego Favaro

Com influências oitentistas, em uma pegada street e também sporty, Rafael Caetano, homenageou a cultura drag. Pink, paetês, franjas, estampas divertidas foram alguns dos elementos considerados femininos que ele transportou para sua moda masculina. Conjuntos esportivos e hoodies amplos foram as peças-chave da coleção.

Encerrando o terceiro dia, Alex Kazuo se manteve fiel à estética minimalista e oriental com uma coleção baseada em preto.  Vestidos em comprimentos médios e com silhuetas lânguidas tiveram destaque, ao lado dos macacões, que foram aposta tanto para mulheres quanto para homens. As modelagens elaboradas e os fitilhos de organza desfiados e entrelaçados por pequenos canutilhos, foram o ponto forte. Durante a fila final, ouviu-se apenas o barulho dos chinelos de madeira batendo no chão que, com a entrada do estilista, se confundiam com os aplausos.

Karin Feller abriu o penúltimo dia de desfiles com uma coleção para Di Gaspi com produção 100% nacional. Partindo do tema fauna e flora em homenagem ao Brasil, as peças com estampas aquareladas fazem alusão à vegetação e animais da Mata Atlântica, em sua maioria, desfiladas no modelo “see now, buy now”. Destaque também para os bordados à mão!

A inspiração de Igor Dadona vem da série “Saltimbanques”. Por isso, a figura do palhaço aparece reinventada em suas peças que sempre acabam trazendo um tom lúdico à passarela. Mas, na verdade, a inspiração é apenas um pano de fundo, pois sua identidade prevalece a qualquer tema ou tendência passageira, na alfaiataria, no streetwear, nas influências da noite e do rock.

Igor Danona

Ben, de Leandro Benittes trouxe o minimalismo, mais uma vez para a passarela. Desta vez, ele ajusta silhuetas, marca cinturas e trabalha com peças menos conceituais. Inspirou nas profundezas do mar mas sem pensar em elementos óbvios. Transparências estratégicas, moletons bordados com elásticos na cintura e camisas acinturadas com babados. O personagem Bob Esponja aparece em versão gráfica numa coleção cápsula.

Nesta temporada, o estilista Isaac Silva foi motivado pela vibe pop cool da influenciadora Magá Moura para criar peças que mesclam seu estilo pessoal com o dela. Assim, com casting sempre engajado com a diversidade, eles trouxeram os elementos college ao lado das bombers brilhantes, calças larguinhas, moletons com mix de texturas e camisas imitando aquelas de futebol americano.

Isaac Silva

O último dia da Casa de Criadores contou com quatro desfiles, além de uma performance de Gustavo Carvalho com um vídeo-desfile e performance da cantora Verônica Valentino.

Primeiramente, um mundo pós-apocalíptico invadiu a passarela de Ale Brito, contando a história de tempos difíceis em que roupas são funcionais.  No caso, é a alfaiataria oversized que dá o tom. São maxicasacos de formas amplas, mangas alongadíssimas e caimento desabado. Junto deles, peças em tecidos sintéticos e outros superfinos, imprimem uma suavidade inédita no trabalho do estilista.

Ale Brito

Heloisa Faria, veio em seguida com uma coleção alegre e colorida. Pessoas de seu cotidiano compuseram o casting. Os looks foram pensados especialmente para cada um deles, fazendo com que se sentissem confortáveis. São peças afastadas do corpo, em tecidos naturais, com detalhes como amarrações, texturas e estampas gráficas. Alguns tecidos são garimpos reciclados do acervo pessoal da estilista em um novo contexto e outros sustentáveis, da Rhodia, utilizados para criar peças biodegradáveis. Listras representavam a ideia de continuidade.

Pensando na sensualidade de uma espiã dos anos 80 a mulher da MRTNS Beachwear, veio para seduzir. Para isso, muitas ombreiras e modelagem asa-delta, recortes e transparências, que ditaram boa parte do mood sexy da temporada. Ainda surgiram maiôs de tecidos inusitados, que não são normalmente utilizados para fazer moda praia, e nomes como Guy Bourdin, Klaus Mitteldorf e René Grau como referências nas estampas.

E para encerrar a semana, apresentou-se a Fila em parceria com a Der Metropol. O clima colegial permeou toda a coleção street e sportswear. Detalhes são contidos, bem como volumes e formas. Estampas se resumem a grafismos e reinterpretações do logos. Materiais como malhas, algodão, moletom, náilon. Os destaques ficam com os jacquards, saias plissadas de moletom e conjuntinhos assimétricos.

A semana foi cheia de emoções, agora vale ficar de olho nesses novos talentos e em suas criações!

Beijos

Awa Guimarães

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