As surpresas do 4º dia de SPFW N43

Hey, folks! Está chegando ao fim mais uma semana de moda em São Paulo, e já começa a bater aquela sensação de quero mais, não é mesmo? Então vamos aproveitar para curtir um pouquinho do que rolou no penúltimo dia de desfiles.

Na manhã ensolarada de quinta-feira a À La Garçonne entrou em cena para dar uma aula de cultura de moda. Os looks com inspiração no boxe, no universo punk metaleiro, sadomasoquismo, clima vitoriano e no militarismo, foram desfilados por um casting eclético no qual Alexandre Herchcovitch sempre apostou.

A construção da marca contou com a contribuição dos símbolos da carreira de Alexandre. Suas habilidosas técnicas couture ao olhar street e underground foram conectados ao universo vintage e esportivo da ALG, que tem como ícone o desenho da corda, que representa vínculo e união.

As referências foram se misturando deliciosamente. Em um primeiro momento trouxe um mood mais street e underground em jaquetas, moletons e parkas customizadas à mão, com peças delicadas e românticas do vitoriano.

Depois seguiu uma linha mais sensual, ultraousada. Rendas transparentes, até mesmo na parte de trás da saia, jockstrap deixando a bunda do modelo de fora e o couro com uma pegada mais fetichista.

Os prints das t-shirts, jaquetas e cinturões brincavam com os termos: À La Garçonne, Love not allowed e love. Trouxeram também a caveira, figura sempre associada ao Alexandre, a sigla ALG, e o ícone da corda.

Tons militares e terrosos, preto, branco, azul e vermelho e o trabalho com xadrez compuseram o trabalho enérgico de atitude e ousadia propostos pela marca.

A La Garconne

Destaque ainda para as roupas e acessórios com apliques de cristais Swarovski. As peças em parceria com a Hering e a Hope (com corset, hot pants, saia e vestido). Os coturnos em parceria com a Hardcore Footwear e a linha Vans + À La Garçonne que traz 20 pares customizados por Herchcovitch.

Vislumbrado por um ato de relaxamento a Cotton Project trouxe para o seu inverno uma cena corriqueira dos anos 90. Surfistas descansando depois de um dia de inverno no mar.

Rafael Varandas disse que pensou em uma sociedade onde o relaxamento fizesse parte do comportamento. Para dar roupagem ao profissional dos dias de hoje com foco na hora de descanso e do ócio, ele analisou a referência do grunge na moda contemporânea.

Ele entendeu que dá para usar ícones de look preguiçoso e desleixado na passarela unidos ao melhor da moda. Um casual melhor do que o usado pela geração Cobain, da década de 90, levando em consideração o amor à moda, ao dinheiro e à vida.

Calças moles, cardigans soltos combinados com moletons, sapatos-chinelo arrastados com meias, gorros, conjuntos estampados – listras, poá –  tipo pijama, cores esmaecidas.

Veludo cotelê, felpudinho sintético, tecido de tear manual, jeans…tudo para trazer a cara de conforto, típico do surfista de outros tempos.

A Cotton é uma marca criada há cinco anos com uma moda casual e confortável que, apesar de essencialmente masculina, veste bem também as mulheres e que não vende só roupa, mas lifestyle. E esse estilo de vida, olha, é demais neah?!

Logo depois chegou a vez da Maison Alexandrine ser aplaudia. Estreante na SPFW, pela primeira vez se jogou no universo prêt-à-porter com uma coleção criada por Dinho Batista, booker, que decidiu se arriscar como estilista à convite da empresária Alexandra Fructuoso.

 

A grife é conhecida por seus vestidos glamorosos, ricamente detalhados, com minuciosos bordados feitos à mão e costura artesanal. Para a passarela, as peças inspiradas na mémoria do estilista, foram criadas artesanalmente, mas os excessos foram eliminados em prol de uma modelagem alongada, limpa e levemente acinturada.

As transparências ganharam aplicação de fitas de cetim, coladas geometricamente como se fossem ranhuras ou trançadas, criando interessante textura quadriculada.

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A alfaiataria recebeu um trabalho artesanal com fitas de cetim e gorgurão: há calças, vestidos, bermuda, saias e coletes que remetem ao universo masculino.

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Os looks surgiram nas cores preta, branca, cinza, oliva e offwhite. E o mais legal é que os 30 foram batizados com o nome de uma mulher fundamental nesses mais de 20 anos de moda de Dinho.

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Sou suspeita pra falar, porque sempre é um dos meus prediletos, mas a Juliana Jabour arrasou ao trabalhar sua moda street inspirada na estética motocross com uma proposta de feminilidade diferente. Sem falar no styling esperto que já deixa a gente querendo a coleção inteira.

A motogirl criada é sexy, selvagem, aventureira e muito bem maquiada. Ahh, e ainda flerta com o romantismo, contraponto que vem em forma de babados, transparência e volume.

 

 

A proposta vem em uma silhueta derrubada, num mix de peças pesadas e oversized com a delicadeza dos tecidos transparentes e telados. As calças, que remetem ao esporte, são combinadas a camisas vitorianas repletas de babados e manga bufante que se ajusta no punho.

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Os moletons que são a cara da grife, usados inclusive por baixo de camisolas, carregam o decorativismo sempre presente, seguindo a mesma ideia.

Tricoline empapelada, alfaiataria, viscose, moletom, georgette de seda, tule maquinetado, renda e couro. Todas essas matérias-primas foram tingidas por uma cartela que começa no branco, passa pelo off-white e pelo amarelo, engloba nuances de azul e desagua no preto.

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Grafismos, estrelas e listras, aquele foguinho de pintura de lataria aparecem como estampas. Muitas vezes de forma inclinada, tipo “em itálico”, para dar mais sensação de movimento e velocidade.

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A pegada urbana, chic e com muita atitude da Ju Jabour deu lugar a mensagem contra o assédio durante o desfile de Amir Slama.

Sua grife homônima de beachwear trouxe para a fashion week uma coleção que teve como ponto de partida o show Saudade do Brasil, de Elis Regina. Assim como o álbum e as apresentações da época, a coleção é otimista e busca ressaltar a saúde e consciência do corpo.

De forma contemporânea e com pegada boyish aparecem macacões, collants, calças e jaquetas volumosas de moletom que remetem à década de 80.

E ainda asa delta, e até uma versão estilizada do amarradinho, numa atitude de “mulher poderosa” que gosta de mostrar o corpão.

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Formas geométricas, listras, cores vivas e toques laminados deram alegria à temporada.

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A grande novidade fica por conta das estampas de logotipo com cara de graffiti, feitas pelo filho de Amir. Ele utilizou a arte da logografia, na qual se escreve tão depressa como se fala.

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Amir ainda abriu espaço para ação consistente em relação ao assédio sexual que as mulheres sofrem e enfrentam todos os dias. Pinturas de frases de empoderamento como “decote não é convite”, “me visto como eu quiser” e “minha saia não é permissão” foram aplicadas em diversas partes dos corpos das modelos, mas só apareciam em fotos feitas com flash, mostrando que a culpabilização da vítima ainda é invisível para muitas pessoas.

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Para fechar o post de hoje vamos falar um pouco de como foi o desfile da Tig, ex-Tigresse, também estreante no evento.  Fiel ao seu estilo e à sua cliente, a marca fugiu um pouco do que tem sido visto nas passarelas, o algo mais pé no chão, como tem sido denominado.

A grife apresentou uma coleção intitulada de A Metamorfose, inspirada em clássicos da literatura mundial, como A Metamorfose, de Franz Kaftka, O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse e O Corvo, conto de Edgar Allan Poe.

A atmosfera lembra os anos 90 onde o vestir-se de forma alternativa era algo que chocava, era sinônimo de rebeldia anti-sistema. Mas isso é apenas a atmosfera. A realidade hoje traz esses looks, e esses jovens, em qualquer shopping center da cidade sem necessariamente chocar mais os pais, a escola, o sistema em geral.

Com um pé nos anos 80, desfilou uma união de itens tendência que povoam o imaginário atual.

Tubinhos de paetês com babados extravagantes ou um ombro só;

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Calças de cinturada baixa combinadas a jaquetas perfecto;

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Comprimentos mídi mais grunge e as transparências.

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Ou seja, básicos do dia a dia com bossa, seguindo o DNA da marca que tem clientela cativa.

A união do mood dark e punk a diversas figuras de insetos, resultou em looks de tule, seda, couro, moletom, jeans e renda. O começo pediu tons mais sombrios que foram se abrindo para um ameixa até chegar ao rosa.

E ainda utilizaram o efeito “sorvete derretido” em alguns looks, manchados de propósito com tinta escorrida.

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Curtiram? Eu amei!

Beijos!
Awa Guimarães
fimdepost

 

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