Mais novidades no 2º dia de SPFW N43!

Hey, folks! A correria continua, mas semana de moda é assim mesmo, neah? São muitas informações para serem absorvidas em um curto espaço de tempo. Por isso, eu vim aqui para atualizar vocês sobre o que rolou no segundo dia de desfiles!

Vitorino Campos abriu o segundo dia com uma coleção que transformou a reflexão sobre a origem do universo e a relativização das tragédias pessoais, presentes na obra do cineasta Terrence Malick, em peças com elementos referentes ao lúdico, à inocência da adolescência, e a liberdade.

O resultado visto na passarela foi de uma variedade de silhuetas e ideias bem conectadas ao gosto contemporâneo. A mistura da seda levíssima com o nylon, a lã e o couro, passou um ar esportivo-chic. Aspecto xadrez e modelagens oversized, com consciência do corpo e nada extravagante, mostraram que literalmente a tendência é o grunge renovado. Mais uma vez as referências dos anos 80 entraram em cena, nos tecidos brilhantes, nas mangas bufantes e em peças acinturadas.

A escolha das cores: preto, branco, roxo, amarelo e vermelho seguiu o que já temos visto e esperado para a temporada. Lembrando que essa trend já vem com muita força desde o final do ano passado.

Contudo, a marca também foi ousada. Trouxe um make marcado e cheio de cor e arrematou os looks com meias coloridas apostando até mesmo na meia-calça branca. Será que essa moda pega?

Vitorino Campos

Em seguida foi a vez de Alessandra Affonso Ferreira, fazer o début de sua nova marca, Sissa. Com desfile-performance em seu ateliê em São Paulo, apresentou uma coleção com espírito boêmio, moderno, elegante e com estampas atemporais, inspiradas em álbuns de família.

Lembranças fotográficas do casamento de seus pais, que aconteceu em 1977 na praia de Mombaça, no Quênia, referências da arquitetura e dos jardins do Irã, onde eles se conheceram e alusão às raízes baianas da estilista, carregou as peças de uma narrativa real.

O foco foi total para as estampas. Padronagens de folhas, flores, paisagens e animal print, foram idealizadas e pintadas a mão pela própria Alessandra. Camisas, macacões e vestidos lisos, sem a aquarela, ganharam detalhes bem trabalhados como amarrações nos ombros e pulsos, recortes ou botões de madeiras.

Utilizando de muito linho, veludo e algodão, e norteada por modelagens leves, femininas e esportivas – que apareceram em jaquetas bomber – e vestidos com amplas mangas, a estilista conseguiu criar uma moda que fala de arte com um significativo peso emocional.

Ahh, não posso esquecer…a cenografia também deu um show à parte. Foi feito uma espécie de rede de biscoitos, 16 mil ao todo, o que contribuiu ainda mais para diferenciar a apresentação dos desfiles tradicionais.

Depois de acompanharmos uma marca estreante na SPFW, chegou a vez de uma já bem conhecida do público fashion. A Ellus celebrou os seus 45 anos, revisitando hits da marca em 74 looks vestidos por modelos que marcaram essa trajetória.

A coleção teve como protagonista o couro, com uma pegada rock’n’roll e como coadjuvante, só que não menos significativo, o resgate da alfaiataria, que já foi ponto alto da Ellus e estava um pouco adormecida.

O contraste entre a rebeldia de jaquetas e acessórios pesados com t-shirts, vestidos delicados e tops de renda (inspiração vitoriana), compuseram a imagem feminina que a marca pretende agradar. Entende-se que são consumidoras mais jovens, em busca de informações do momento, o que já dá vontade na gente de sair usando, não é mesmo??

Já nos looks masculinos predominou a combinação de calças de alfaiataria com camisetas e jaquetas despojadas, como as de estampa de animal ou em couro. Esses modelos também surgiram sobrepondo costumes elegantes.

Assistindo ao desfile ficou bem claro que a Ellus busca servir igualmente homens e mulheres que desejam transmitir uma mensagem atual e oportuna através da composição de seus looks. Ao colocar uma modelo, com os seios à mostra, franja nos olhos e um cigarro, eles levantaram questões de gêneros, hoje tão comuns, mas que já foram apresentadas tempos atrás pela marca com a figura da heroin chic, representante da rebeldia que norteou os anos 90.  Deve ser por isso que a marca consegue manter sucesso e energia no auge dos seus 45 anos. Ela sempre esteve intimamente ligada ao comportamento de seu público e isso não é para qualquer um não.

Ellus

Saindo um pouco do abstrato e voltando para o real, vamos falar da composição técnica da coleção. Mais uma vez a cartela de cores apresenta-se bastante sóbria, tons de preto, cinza e vermelho. Nos acessórios: continuaram em evidência o couro e tachas em coleiras, chockers e bonés. Cintos e bolsas receberam a aplicação de correntes com banho prateado. E nos pés: coturnos robustos envernizados usados com atacadores contrastantes. Dentre os materiais escolhidos, além dos que eu já falei, teve a sarja com cobertura vinilizada, o feltro de lã com banho de resina transparente e o jeans que não pode ficar de fora.

 Durante a tarde, do segundo dia, entrou em cena a coleção da Lolitta. A Commedia Dell’Arte italiana, do século 16, usada para fazer sátiras com a sociedade da época, falar sobre o ciúme e a inveja foi o ponto de partida para Lolitta Hannud criar suas apostas para a esse inverno.  Na Commedia, os atores usavam figurinos coloridos, com padronagens geométricas, e seguiam a um roteiro simples, sempre incentivados a improvisar e interagir com o público.

A roupa, personagem única do espetáculo em meio a um cenário cru, apresentou-se com uma modelagem ampla, mais solta, que começou a ganhar forças na última temporada. Mesmo os evazês tinham movimento e leveza.

Babados, estampas geométricas de losangos desconstruídos, mangas volumosas e decote ombro a ombro com um ar romântico.

A alfaiataria veio reforçada por plissados e movimentos de franjas.

Rolou também na passarela um clima sessentinha em jogo com os estruturados em xadrez. Ficou nítido que a marca aproveitou a oportunidade e se inspirou no Arlequim (personagem teatral que entrava no palco para descontrair o público) e trabalhou com mais liberdade sem perder sua própria identidade.

Lolitta

E se for preciso, deem uma olhadinha de novo nessas imagens que separei para vocês do desfile. Dá para perceber que a escolha da estilista por degradê de terrosos, beges, verde e vinho gerou um resultado elegante e bem bonito, não é verdade?

Já que falei em beleza, vamos ver um pouquinho agora do que foi feito pela marca mineira GIG Couture. Mais uma vez Gina Guerra provou que é possível versatilizar o seu material-chefe, tricô, através da tecnologia do maquinário combinada ao trabalho criativo e artesanal.

O material foi transformado em fluido, que escorre pelo corpo em diversas modelagens, construídos sempre em fios brilhantes (lurex e dourados) e riquíssimos em texturas. Assim é possível ter coerência entre o glitter que é muito disco, o power dressing e um grunge nada largado, em uma coleção que passeia pelos anos 70, 80 e 90, com propostas tão diferentes entre si.

As peças vão de blusas com shapes esportivos, totalmente reluzentes, a saias mídi pregueadas.

GiG Couture

Vale lembrar também que a aposta é no animal print e camuflados, hits da estação. Dentre os looks alguns totalmente estampados e outros com um mix de texturas estampadas, o que criou imagens harmônicas nas sobreposições.

Macacão cargo à parka, com aquela espuminha, ombrões e mangas bufantes alinhavaram bem as referências oitentistas, Para aqueles que acham difícil usar essas construções dos 80, tem também peças com ombros em evidência.

Em alguns momentos mais glamoroso, em outros mais street, ainda que um street bem elaborado, a marca cria um jogo com plissados, brocados e monocromáticos (tendência deste SPFW), revivendo outros tempos para lançar novos formatos.

Do tricô vamos para a marca que tem o jeanswear como especialidade, Two Denim, como o próprio nome já sugere. E eu, como boa brasileira que sou, amo e defendo que o denim pode sim ser sofisticado, street ou chic, e foi isso que a grife também tentou dizer.

Estreante no SPFW, 2DNM quis buscar outros materiais para complementar o mix de produto e foi daí que veio a inspiração para a coleção. Ao procurar o melhor algodão para camisaria, a diretora de criação Flávia Rotondo se encontrou no Peru e descobriu uma boa forma de se expressar sem cair no clichê.

O Peru foi pensado em cores neutras. As lavagens mais claras foram alternadas com o branco e os tons terrosos, presentes em materiais como a lã de baby alpaca, super chique! Mesmo assim, os monocromáticos tiveram vez e surgiram elegantes.

Vale a pena também dar créditos a um material por eles utilizados. Ainda pouco conhecido o liocel, tecido feito de fibra de celulose extraída da polpa da madeira, é nacional e fabricado pela Vicunha. Apresenta uma resistência que permite lavagens bem interessantes, com um caimento fluido e elegante.

Two Denim

O Peru ditou também as formas e sobreposições que surgiram na passarela. Assim como no país de inspiração elas apareceram soltas, e um elaborado jogo de volumes. Amarrações, pompom e bordadinhos mais rústicos combinados à alfaiataria romântica.

Two Denim

Quase no final do dia vem a Patbo, glamourosa e fashionista, mas com uma inspiração que deixa tudo mais arrojado e divertido. Patricia Bonaldi gostou da experiência do streetwear na temporada passada e resolveu mergulhar mais ainda nesse tema.  Explorou o universo hip hop, as obras de Basquiat e Bispo do Rosário.

Seus valores originais estão presentes no traçado à mão, das peças que remetem as correntes do hip hop, nos bordados com aspecto rico e luxuoso e nos acabamentos impecáveis.

As estampas de pinceladas, foram inspiradas nas pinturas de Basquiat e receberam interferências de aplicações de contas e pedras, que remetem a “beleza do caos” de Arthur Bispo. Em meio a isso tudo surgiram franjinhas coloridas formando ondas de arco-íris, além dos lindos bonés e das versões bordadas do All Star. Tudo com aquele potencial para ser hit entre as fashionistas.

Maximalismo, explosão de cores e um shape mais solto e esportivo, andaram lado a lado com materiais nobres. Moletons, veludo e parkas, na contramão do habitual, reunidos com sabedoria em busca de nunca se acomodar.

Ainda preciso destacar a parceria com Helena Bordon, que também desfilou para a marca. Juntas criaram uma coleção pocket de moletons aveludados ultradesejáveis. E, claro, a cartela de cores: preto, branco e cinza pontuados por vemelho e azul não fugiu à regra do que temos visto durante a temporada.

35 - Patbo 05

E por fim, a noite terminou com o espetáculo de Lino Villaventura. Adepto de uma linha de criação mais orgânica, demonstrou embarcar nessa aventura que é o mercado do conceito esportivo-street-casual. Seguindo o DNA da marca as roupas estavam repletas de trabalho de ateliê com nervuras, recortes, aplicações, modelagens que levam bastante tecido. Mas o clima do desfile, que já tem mudado há um tempo, foi diferente: Pé no chão sem salto, flertes com o streetwear, riscos de cor à graffiti, com aquele humor dark jovem de fácil aceitação.

Agora o grunge entra como proposta em modelagens mais oversized, sobreposições que jogam com o volume e as camadas, shapes esportivos e sneakers. Ainda que seja perfeitamente realizada, a alfaiataria desconstruída brinca com o sério.

Em um primeiro momento sugiram looks todos brancos, que captam um gosto jovem mais minimal. As cores mais escuras se apresentaram combinadas.Sendo o preto com xadrezes, ou preto lavado misturado com azuis e tons terrosos, ou ainda estampas que lembram manchas, quase um tye dye.

A coleção foi ganhando forma e crescendo ao longo do desfile. Já para o final, os bons observadores percebiam algo mais Lino nos vestidos rococó com estampas cintilantes, contidas por tênis e comprimento mídi. Ele deixou mesmo apenas para o final um momento menos casual, afirmando que é possível sim ver a moda com outros olhos, continuando o mesmo.

Demais, neah? Estamos novamente de olho em tudo que está rolando nesta quarta-feira de SPFW N43, e amanhã contaremos tudinho para vocês! Fiquem ligados no Instagram também, que tem várias stories  direto das passarelas.

Beijos!
Awa Guimarães

fimdepost

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