Na Cabeceira: Born To Run

Aos 67 anos, Bruce Springsteen parece estar mais jovem do que nunca. Continua fazendo shows memoráveis, chegando a tocar por mais de 4 horas seguidas para dezenas de milhares de pessoas, e sua produtividade em estúdio também não deixa a desejar. Segredos de seu sucesso e vida pessoal estão poeticamente descritos na autobiografia “Born to Run”, lançada no fim de 2016.

Dono de uma escrita impecável, fato comprovado nas letras de suas canções, Springsteen faz de sua obra literária um espaço mais efetivo para, inicialmente, detalhar a história de sua descendência. A infância pobre, os problemas psicológicos do pai e os consequentes abusos que este infligia à família são abordados, mas sem a autocomiseração e o sensacionalismo barato característicos das biografias do mundo do rock. O autor nos leva a andar com ele pelos bares e estradas dos EUA na busca de músicos para sua banda e o sonhado reconhecimento. Os caminhos que o levaram a encontrar seus parceiros de longa data, especialmente o que viria a se tornar a lendária E Street Band, e as dificuldades de manter as rédeas de um trabalho repleto de egos e personalidades diferentes são reveladores. Não é à toa que o artista é também conhecido mundialmente como The Boss, “o chefe”.

boss2

As histórias e pessoas que o inspiraram a escrever boa parte de seus clássicos, como “Thunder Road”, “Born In The USA”, “The River” e a vencedora do Oscar “Streets of Philadelphia”, são apresentadas de maneira honesta. Sem rodeios, Springsteen se abre para contar a maior batalha que tem travado longe dos holofotes: a depressão. Opiniões políticas não faltam, mas sem imposições ideológicas ou monólogos de dar sono. Sua visão sobre a sociedade americana nos faz refletir, especialmente por tocar em temas como o racismo e a misoginia.

A música, e não apenas a de Bruce, é o grande destaque do livro. As influências dos anos 50 e 60 na personalidade e trabalho de Springsteen são detalhadamente ressaltadas, bem como a cena underground de Nova Jersey e Nova York, e as amizades com grandes artistas – de Frank Sinatra aos Rolling Stones (o capítulo em que o Boss descreve uma jam com os ingleses é um show à parte).

No fim, “Born To Run” prova-se um verdadeiro manual de integridade no rock n’ roll (ou rock n’ soul, como Bruce nomeia sua música). Não é fácil manter-se no topo, tampouco lidar com adversidades na vida pessoal em meio a toda fama, mas Springsteen sabe fazer isso como poucos. Noite após noite, cidade após cidade, turnê após turnê, ele tem abraçado suas fraquezas e curado velhas feridas no único lugar em que um roqueiro pode se sentir verdadeiramente completo: no palco, junto aos fãs.

boss1

Vale nota: além do livro, foi lançado um disco chamado “Chapter and Verse”, que funciona perfeitamente como trilha sonora para cada parte de “Born To Run”. Recomendadíssimo!

boss4

Aproveite para conferir o show de Bruce Springsteen e a E Street Band no Rock In Rio 2013, um dos melhores da história do festival:

Até a próxima!

Jorge Takeda

@jorgeftakeda

fimdepost

Deixe aqui seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s